EFEITOS DO DIU MIRENA
Após dez anos fazendo uso de vários contraceptivos orais e injetáveis, optei junto com meu ginecologista pelo uso do DIU Hormonal Mirena. Na época buscávamos um método em que após o nascimento da minha filha mais nova não atrapalhasse a amamentação, que houvesse uma redução considerável nas cólicas e que eu não precisasse me preocupar com horários para tomar o medicamento, afinal já tinha mais de um ano que eu não usava nenhum método contraceptivo. E para o meu quadro clínico essa foi a melhor opção, além que contribuiria na redução do fluxo menstrual, no alívio das cólicas, e de tabelinha diminuiria o risco de câncer do endométrio. Por isso muitas vezes ele também acaba sendo também utilizado em mulheres que não necessitem de contracepção, mas que estão fazendo o tratamento de endometriose ou miomas.

Passados exatos dois meses após o nascimento da minha pequena, fiz alguns exames e dentre eles o teste de gravidez que é essencial para prosseguir. No dia marcado fui ao consultório ginecológico fiz o procedimento e foi tão rápido que não durou dez minutos. No início até brinquei que suspeitava que meu ginecologista não havia inserido nada. Pois tinha escutado tantos relatos de amigas e conhecidas que usavam DIU, afirmando que o ato do procedimento era sofrido, que seria bastante doloroso, outras disseram até que fizeram uso de anestesia. E fui preparada para isso confesso! Mas dor varia de pessoa para pessoa, e na teoria doeria mais para mulheres sem filhos. Então não era meu caso. Logo após fizemos o ultrassom para confirmar o posicionamento dele. Durante todo o dia senti apenas um desconforto mas nada além disso.
Depois disso seria o processo de adaptação ou rejeição. Preocupada para tudo dar certo esperei sete dias para o DIU se posicionar, e só depois partimos para as relações conjugais. Eu optei por ser assim, mas tem gente que esperava até quinze dias, outras nem um dia. Variava do estado da paciente, se estava menstruada ou fazendo algum tratamento. No meu caso eu apenas não queria correr riscos de uma nova gestação. Eu acreditava que assim conseguiria perceber e entender todas as reações que o meu útero sofresse. Na primeira relação foi tensão total, meu esposo afirmava que sentia o DIU furando-o e foi impossível continuar. Fiquei super preocupada e frustrada pois só havia depositado expectativas quanto a adaptação do dispositivo no meu corpo. Nunca tinha imaginado que poderia acontecer aquilo. Marquei um retorno ao consultório tão logo, e lá meu médico retirou um pedacinho do fio do contraceptivo. Esse fio serve como indicativo de que o DIU está colocado corretamente e principalmente para auxiliar na remoção do mesmo.
Alguns dos seus efeitos colaterais foram as dores (lembrava-me muito contrações) e uma pequena hemorragia logo após a colocação. No mesmo mês menstruei novamente, fiquei desiludia afinal, umas das possíveis vantagens do mirena seria cessar o fluxo menstrual. Entretanto estava tudo muito recente, então durante os três primeiros meses, observei que o fluxo havia aumentado, apareceram espinhas (no rosto, ombro e tórax), aumentaram as cefaleias e a sensibilidade para dor nas mamas. Tive também retenção de líquidos e ganho de peso. Voltando ao consultório refiz o ultrassom para confirmar sua posição e relatei exatamente minha experiência ao fim desses três meses, porém meu ginecologista afirmava que estava tudo bem, que tudo isso era normal e que esse quadro de sintomas era recente e não definitivo. De momento fiquei feliz por ter me adaptado bem e por acreditar na possibilidade de melhorar todas aquelas reações ruins que surgiram. Ele então me aconselhou a praticar exercícios, logo eu que sempre fui ativa, quando escutei isso percebi que alguns dos sintomas poderiam ser culpa minha e não do DIU.

1° ANO
Completado um ano usando o Mirena refiz o ultrassom e estava tudo certo, porém alguns sintomas haviam mudado. O fluxo diminuiu consideravelmente, mas não cessou como eu gostaria. As espinhas persistiram, as dores de cabeça não eram mais frequentes, poderiam ter outro fator para tê-las, eu não mais associava. A sensibilidade mamária diminuiu muito, só aparecendo durante a tpm, então estava tudo normal quanto a isso. E infelizmente a retenção de líquido e o ganho de peso persistiam, uma vez que eu só praticava exercícios aos finais de semana. Mas considero o hábito de sempre ter tido uma ótima alimentação e por ingerir bastante água, o fator primordial para ao menos ter conseguido controlar meu peso.
2° ANO
Nos primeiros seis meses do segundo ano as coisas começaram a melhorar, o fluxo continuava irregular (menstruação de 2 em 2 meses), e só por isso eu já adorava. O sangramento era bem reduzido, com menor duração e principalmente sem desconforto, sem dores menstruais. Mas a acne era resistente, mesmo usando inúmeros produtos e fazendo tratamentos de pele, nada adiantava afinal eram espinhas hormonais. Chegou um momento em que pensei seriamente em retirá-lo, mas completávamos dois anos e meio com esse método e ele ainda era válido por mais dois anos e meio, e me oferecia tanta liberdade que permaneci com ele.
Ao fim desse segundo ano o fluxo foi totalmente interrompido e a acne continua, porém surgiram outras reações. Percebi que houve muita alteração de humor, fiquei mais nervosa e teve diminuição da libido. Sim, assim como você, fiquei incrédula por relacionar esses sintomas como reações do contraceptivo. Desde então como optei por continuar com ele, busquei recomendações médicas para tratar das novas reações da melhor forma. Mesmo com todos esses sintomas se me perguntassem ao fim do processo se eu manteria o método por mais cinco anos, a resposta seria sim. Pois diante de todas as reações que os contraceptivos orais causam e por ter criado pavor de agulha, eu fico mais tranquila por saber que o Diu Mirena não trará riscos a minha vida.
As consequências do uso de anticoncepcionais orais podem variar entre câncer de colo uterino, ao aumento das pressões sistólica e diastólica. Podendo ser fator de risco para o desenvolvimento do Acidente Vascular Encefálico (AVE). Sendo capaz de apresentar também relação com o desenvolvimento de glaucoma e maiores chances para o desenvolvimento do tromboembolismo venoso, que pode evoluir para trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Fazendo uma pesquisa rápida é fácil obter esses dados. Se informem, façam consultas e exames regulares, tenham mais de um opinião ginecológica, tudo é válido para se manter saudável.
Essa tem sido minha experiência, irei atualizar a cada ano. Continuem por aqui Em Movimento.